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talentos da saúde

 

O que faz de Michael Schumacher, campeão mundial de Fórmula 1, diferente de Rubens Barrichelo, seu igualmente veloz companheiro de Ferrari? A palavra-chave talvez seja, simplesmente, mais talento. Das pistas para a competição dos prestadores de serviços, não é diferente: vive-se cada dia mais num mundo onde a competência é fator de sobrevivência. Um mundo muito competitivo, globalizado, no qual cada detalhe faz a diferença. Por isso, identificar e atrair gente de talento para a posição certa, formando um time talentoso é a melhor solução para enfrentar essa realidade. A questão é: como encontrar, nesse mar de pessoas, muitos com bons currículos e formação acadêmica, um Schu-macher que leve a instituição de saúde para o pódio?

Não é fácil. Primeiro é preciso ter olhos para enxergar e reconhecer quem de fato tem talento, o que pressupõe que o observador também seja alguém dotado de algum. “O talentoso, de forma muito rústica, é aquele que efetivamente contribui com os resultados. Na prática é aquele colaborador que cumpre seu papel e faz a diferença”, explica o consultor de recursos humanos Francisco Britto, da B Consultoria, especializado na contratação de talentos. Para Britto, esse funcionário sente-se também um pouco “dono do negócio”. Não se limita a sua atividade principal. Busca crescer e contribuir com a empresa como um todo.

O profissional talentoso contagia o ambiente e ajuda não só a si mesmo, mas também ao desenvolvimento geral. Outra característica, definida pelo consultor de RH Paulo César Jatobá, é que o funcionário talentoso vive em harmonia com as cinco felicidades: profissional, familiar, financeira, físicomental e espiritual. Segundo ele, o RH deve fazer a função de “meio-de-campo” entre a estratégia da organização e as expectativas dos funcionários. “O grande desafio é aproximar as pessoas do negócio, inserindo-as no mundo globalizado, colocando-as no novo mercado de trabalho que exige pessoal qualificado para produção e competência a custo baixo, tendo que fazer mais com menos”, afirma.

Quanto custa manter um talento dentro da instituição? Jatobá acredita que o salário deve ser proporcional ao talento, com uma remuneração participativa, baseada nos resultados. Para Britto, por sua vez, hoje existem muitas políticas de remuneração, como participação nos lucros, ações, e outras formas de reter talentos. O importante, segundo ele, é que um grande talento se paga sempre.

Por ser extremamente visado pelo mercado, um dos desafios dos administradores é manter esse funcionário talentoso dentro da instituição. Uma das maneiras de fazer isso é reconhecê-lo entre os demais. Mais do que por dinheiro, os grandes talentos são movidos por reconhecimento e novos desafios. “O que faz um profissional pensar em mudar é a estagnação”, afirma Britto, o que, segundo ele, não significa que todos os funcionários de talento irão virar diretores.

O papel do gestor de RH em todo esse processo é principalmente o de se manter atualizado em termos de mercado, da concorrência e dos métodos de remuneração e retenção. Por isso, cada vez a área de recursos humanos se torna estratégica. Na área hospitalar isso não pode ser diferente. “Sinto que os hospitais ainda guardam alguns ranços da antiga administração. O foco é na medicina e não na administração. Muitos bons hospitais, em termos técnicos, vêm a falir por má administração e adotar velhos parâmetros”, avalia Francisco Britto.

Em resumo, o importante, além de valorizar o profissional talentoso, é tentar formar uma equipe talentosa que entenda a dinâmica do mundo globalizado, no qual cada detalhe faz enorme diferença, na medida em que equipamentos são cada vez parecidos. O papel do administrador, ainda comparando com o esporte, talvez seja agir como um bom técnico de futebol: identificar e atrair o talento certo, para a posição certa, formando um time vencedor.

Bruno Hoffman