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REESTRUTURAR EMPRESAS É MISSÃO PARA POUCOS

 

Capacidade de gerenciar crises, disposição para trabalhar sob muita pressão e experiência profissional são alguns

dos traços dos especialistas em recuperar empresas

 

"Profissionalmente, ser bem sucedido num desafio destes é um golaço", afirma Adelaide Du Plessis, sócia da consultoria DPS, especializada em recrutamento de executivos. Entre as benesses da vitória, estão a de tornar-se referência para o mercado e obter ganhos financeiros consideráveis com participações nos resultados. "Mas nem todos estão preparados para recuperar uma empresa em crise", diz Adelaide.

Isto porque um especialista em crises não é um executivo comum. No dia-a-dia de uma empresa saudável, os administradores têm mais tempo para pensar no posicionamento estratégico do negócio. Mas, numa situação de crise, via de regra, eles precisam primeiro estancar o sangramento financeiro da empresa, assegurar sua sobrevivência no curto prazo, para, depois, se preocupar com o longo prazo. "Um reestruturador precisa, às vezes, sacrificar o futuro para consolidar o presente e, só depois, voltar a construir o futuro", afirma Cláudio Galeazzi, sócio fundador da Galeazzi & Associados. Especializado em reestruturações, sua clientela inclui empresas como a fabricante de revestimentos cerâmicos Cecrisa e a Lojas Americanas.

Liderança

O principal traço destacado pelos consultores é a capacidade de liderança dos reestruturadores para dirimir conflitos, sobretudo os que surgem na própria equipe. "Ele precisa ser capaz de negociar em situações difíceis e ser combativo, pois, a cada momento, terá que apagar um incêndio", afirma Karin Parodi, sócia da Career Center. Além disso, precisará ser hábil para extrair o máximo de conhecimento dos funcionários que já estavam na empresa quando ele chegou.

A experiência profissional conta - e muito - nestes casos. Mesmo que não tenha liderado uma reestruturação anteriormente, o executivo precisa, pelo menos, ter participado de alguma. "Há coisas que só se aprende quando se vivencia", afirma Galeazzi. Por isso, raramente se encontrará um especialista em crises com pouca idade. Segundo os consultores, alguém só estará maduro para a função entre 35 e 45 anos, dependendo da experiência que acumulou em sua carreira.

A faixa etária coincide também com o momento em que vários executivos sentem que estão subutilizando suas habilidades, porque gerenciam negócios estáveis e sem grandes desafios pela frente. "É o ponto em que eles percebem que estão mais acelerados que suas empresas", diz Karin, da Career Center. "O que move os reestruturadores é a adrenalina", diz Galeazzi. A adrenalina a que muitos gestores se candidatam, mas para a qual poucos estão aptos.

Reestruturar uma empresa à beira do desastre e devolvê-la ao mercado forte e cheia de perspectivas é uma façanha que fica bem no currículo de qualquer executivo. Por isso, muitos querem viver esta experiência, mas poucos estão preparados para ela. Combatividade, capacidade de administrar conflitos, conhecimentos gerais sobre o negócio e muita disposição para assumir riscos e pressões são os principais requisitos para quem deseja se aventurar por este caminho, como Geraldo Haenel, que saiu recentemente de uma bem colocada empresa de papel e celulose para enfrentar o desafio de recuperar a Paranapanema (clique aqui e leia reportagem sobre a mudança de Geraldo Haenel na revista EXAME).

Por Márcio Juliboni