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quem é qualificado para dirigir os hospitais

 

Existem quatro cavalheiros do apocalipse na gestão de saúde: falta de financiamento para o setor, falta de gestores especializados, carência de informações gerencias e políticas inadequadas. Em um mundo globalizado e em que mudanças ocorrem de forma extremamente rápidas, não se pode mais admitir fazer economia doméstica com a gestão dos hospitais.

Sensível à necessidade de profissionalizar e qualificar a gestão hospitalar no âmbito do Sistema Único de Saúde, a Secretaria de Assistência à Saúde do Ministério da Saúde, através da Consulta Pública nº 3 de 15 de Maio de 2002, feita pelo secretário Renilson Rehem de Souza, submeteu à consulta as propostas de normatização. A portaria estabelece, no anexo II, as exigências mínimas de estruturação técnico-administrativa das direções dos hospitais vinculados ao SUS e os critérios de qualificação profissional exigíveis para o exercício de funções nessas direções.

 

Nessa minuta foi sugerido que:

A Federação Brasileira de Administradores Hospitalares, por intermédio do seu presidente, o administrador hospitalar Paulo Roberto Segatelli Camara, entendeu que curso de extensão com duração de 180 horas/aula não prepara o profissional de maneira adequada a desempenhar suas funções num estabelecimento tão complexo como é o hospital. Daí porque sugeriu:

Se até o setor governamental, que apresenta maior lentidão em se adaptar às exigências do mundo globalizado, percebeu a necessidade de gerenciar de forma profissional, por que a iniciativa privada, no setor hospitalar, ainda não acordou para o problema? Se o setor hoteleiro, que possui complexidade relativa na área administrativa, sem a imperiosa necessidade de salvar vidas, procura profissionais com experiência e conhecimentos específicos, por que os hospitais não fazem o mesmo? Se em diversas unidades do hospital existe a exigência de profissionais com formação específica, como assistentes sociais, metediços, psicólogos, enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos, por que para a direção geral não é feita a mesma exigência?

Os cursos de Administração Hospitalar existentes formam um número considerável de alunos. A grande maioria, porém, continua fazendo aquilo que fazia antes da faculdade, ou indo para outras atividades fora da saúde. A maior parte dos hospitais é administrada pelo próprio dono, geralmente um médico, ou por leigos com experiência em gestão de negócios não voltada para a área da saúde, sem o preparo específico em administração hospitalar e cujas instituições relutam em ter um profissional específico.

A maior parte dos hospitais no Brasil, 60% a 70%, são de pequeno porte e passam dificuldades financeiras, não podendo sobreviver sem uma parceria com municípios e estados para suplementar sua receita. Poucos hospitais contam com profissionais bem formados em administração, em geral os melhores e com a preferência dos convênios porque dispõem da melhor estrutura física de equipamentos e recursos humanos.

Além da falta de profissionais com formação específica em Administração Hospitalar, os acadêmicos têm dificuldades em custear seus estudos. Ressentem-se da prática profissional em atividades profissionalizantes dentro do hospital que faria com que fossem bem formados. Infelizmente, a maior parte das faculdades com curso de graduação e especialização em administração hospitalar não se preocupa com a formação aliada à prática profissional. Em outro aspecto importante, o anexo I da consulta pública nº 3 faz referência à classificação dos hospitais, medida que, com certeza, promoverá ações locais específicas, melhorando gradativamente o atendimento hospitalar em todas as regiões do País.

Não resta dúvida que a iniciativa do Ministério da Saúde, por meio desta consulta pública, servirá como exemplo para que outros iniciem mudanças necessárias a melhorar a qualidade de vida do cidadão brasileiro. O aperfeiçoamento continuado dos profissionais que dirigem os hospitais é o caminho mais curto no processo evolutivo que culminará na excelência dos serviços hospitalares.

Soldemar Tonello e Eduardo Martinho

Administrador hospitalar e diretor de desenvolvimento da Pró-Saúde(esq.) e Assessor técnico da Pró-Saúde e professor de administração hospitalar e saúde pública da Univer

 de Ribeirão Preto(dir.)